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2 de fevereiro de 2008

O nosso Carnaval




("a mãe disse que não havia dinheiro para fatos de carnaval, mas eu lembrei-me deste fato que usava quando dançava no rancho, lá na América, e trouxe-o") Boa, Carolina!!!
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Os meninos do grupo que acompanho apareceram todos mascarados. Eu não. Não ligo muito ao Carnaval, apesar de gostar, caso haja espírito de brincadeira.
À excepção de dois meninos apareceram todos vestidos a rigor. À medida que ia pedindo a cada um para mostrar o seu fato e falar sobre ele, apercebi-me que, na sua alegria, nem os fatos rasgados ou demasiado pequenos para os respectivos tamanhos, os dissuadiam do desfile vaidoso.
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Estas crianças são pobres. Muito pobres, mesmo. Algumas provenientes da Cova da Moura, outras que se passeiam aos fins-de-semana pelo bairro das Marianas, outros são primos do desgraçado que morreu com um tiro, há dias, na estação de Rio de Mouro e as desgraças continuam num rol sem fim (de ficar de boca aberta).
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Entristece-me a realidade destes meninos. Tanto... que por vezes mal contenho as lágrimas à sua frente. É tudo natural para eles. O facto de quase todos terem pistolas em casa, de uma das avós ir de mota a fugir de alguém que ainda lhe conseguiu acertar com um tiro e matá-la, não tomar banho, não ter fruta nem iogurtes em casa... é mesmo como eu disse uma lista de desgraças, sem fim.
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Mas ontem foi um dia especial. Cada um apareceu vestido a rigor. Alguns eram improvisados, como o do mulçumano (cuja mãe o faz sentir diferente em tudo) que trouxe na cabeça um chapéu árabe e uma gravata surripiada ao pai, e que feliz que ele estava assim mascarado.
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Fiquei feliz por vê-los alegres e entusiasmados, tão contentes com o pouco que levavam. Tão merecedores de um prémio para vencedores. São assim os meus meninos deste ano!!!!

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