11 de fevereiro de 2008

águas paradas



Quando coloquei este post no meu outro blogue achei que tinha descoberto uma coisa do outro mundo. Afinal mamã que é mamã já a conhece, há séculos, e ainda possui vários modelitos da dita loja.

Quando me apercebi disto senti-me abatida. Não por deixar de trazer uma novidade a quem me lê, mas por perceber, mais uma vez, que afinal ando fechada dentro de uma caixinha. É assim que me sinto há já algum tempo. Saio tão pouco, convivo tão pouco, passeio tão pouco que a sensação que tenho é que estou a milhas de distância de tudo o que é actual. Há quanto tempo não vou a um cinema??? Honestamente, não me lembro!! Há quanto tempo não visito uma exposição, ou um teatro ou um concerto, ou leio um jornal ou, ou, ou.

Dizem vocês : Mas tu és mãe de um bebé. Pois, mas esta inercia instalou-se há já algum tempo. Antes mesmo de eu engravidar. Penso até que o nascimento do Rodrigo me trouxe mais contacto com certas coisas.

Sinto-me desactualizada. Longe, muito longe do que fui um dia.

Longe da vida activa e social que tinha, da vontade do saber e conhecer.

Sinto-me numa fase de transição. Sinto necessidade de mudar muita coisa na minha vida.

Só não sei por onde começar.


12 comentários:

Sofia disse...

Cinema??? Eu adorava ir ao cinema, ia todas as semanas, muitas vezes sozinha mas tinha de ir. Agora, já nem me lembro do último filme que vi no cinema e em casa nunca consigo ver um filme inteiro(ou perco o ínicio, ou o meio ou então o fim).
Sair? Só a correr e para fazer compras-comida, fraldas, toalhetes,... (aliás, a minha vida é agora uma grande correria).
Tb já sinto falta de um pouco de calma e descontração, não ter horas para acordar, deitar, comer e passear...mas tudo é por uma oa causa.
Beijos grandes. Sofia e Catarina

Sofia Quintela disse...

E eu, que tive uma altura em que ia duas vezes por semana ao cinema, ia as segundas ver os filmes mais populares e as quintas que era a sessão mais underground, os filmes europeus ou de produções independentes.
eu não me estou a queixar por causa do Rodrigo, porque se eu quisesse poderia fazer uma serie de coisas de vez em quando e isso já bastaria para me sentir melhor.

Sofia Quintela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Pois, realmente nao ha grande razao de queixa...que direi eu, com muito menos alternativas. Mesmo assim digo-te mesmo com a B. quando quero ir passear, ou ver uma exposicao, ela vai connosco, desde muito cedo. Arrebita e de vez enquando vai, apreoveita, porque podes!

Eduarda disse...

Oh Sofia como te comprerendo...eu sinto-me cada vez mais uma pseudo-mãe-sopeira-à-força!!!

E é horrível porque esta não sou eu...decididamente não gosto de ser assim!
Mas o pior é que, tal como tu, a minha vida já andava neste marasmo antes do Rodrigo nascer(não por vontade minha)!

Acho que foi esta necessidade de me reaproximar do mundo que me fez voltar ao blogue...sem ele eu sentia-me ainda mais longe de tudo.

Não consola, eu sei...mas não estás sozinha nesse vazio de civilização...junta-te aqui ao clube!

Beijinhos (cosmopolitas e barulhentos)

Sofia e Beatriz disse...

Eu detesto estar em casa, fico deprimida. Tenho de sair, TODOS os dias, mesmo que chova!
Habitua-mos a Bia, a estas saídas!
Levamo-la para todo o lado!
Há sempre lugares para ir... mais que não seja ao parque, para ela andar de baloiço!

Temos de combinar umas passeatas :)))
Beijinhos Nossos

Abraçar disse...

Eu também conhecia, por isso não comentei o post. Se tens realmente vontade de voltar a fazer certas coisas faz uma lista e estipula metas, bem ao teu género.

Eu então não vou a lado nenhum durante o dia, só ao café e ao parque e pouco mais. Não tenho carta o que ainda me limita mais. Mas sabes, graças à net e também aos meus afazeres com o meu projecto não me sinto nem parada, nem isolada. Encaro esta fase da minha vida como temporária e neste momento já tenho tanto em que pensar que não me aflige muito não andar muito actualizada.

Tenho também muito mais tempo para introspecções do que quando trabalhava o que me agrada bastante. O facto de estar a tentar abrir o jardim de infância e de ter o Tiago preenche-me muito e dá-me um alento para o futuro também.

Talvez ainda não te tenhas encontrado a ti própria nesta fase da tua vida e por isso sintas saudades de quem já foste, mas acredita Sofia, nunca voltamos ao que éramos, estamos sempre a evoluir para algo diferente.

Beijinhos

Anónimo disse...

Fases de transição são "apenas" isso: fases. Sempre que há um evento importante na nossa vida, seja um nascimento, seja uma perda, seja uma mudança, passamos sempre por isso. E mesmo que agora te sintas "perdida" sem saber por onde começar, o facto de pensares em começar é sinal que a fase de transição em breve se transformará em adaptação para algo maior. Não procures muito que de certeza encontras mesmo juntinho de ti o que precisas para te realizar plenamente.
Quanto à tua sede de saber, como te compreendo. Ainda ontem pensava que sentia falta aqui de gente "inteligente" em que a conversa não passe pelo futebol (o tema favorito da comunidade emigrante aqui...), que se interesse pelos temas que nos circundam, que me desafiem e não me enfiem numa estupidificação ... por isso ultimamente nem faço muita questão desses convívios. A sede de saber, essa, satisfaço-a em parte em casa (com o B.) e a outra parte a ferramenta que utilizo para escrever estas palavras. Tens aí um mundo de conhecimento e informação à distância de uma pesquisa. Graças a isso eu sei mais da terra que nos acolhe e estou a par de todas as alterações de lei que nos afectam do que qualquer outro emigra da comunidade portuguesa perto de nós. Graças a isso, estou sempre a par dos eventos e comemorações da cidade por exemplo, a que vamos enquanto os outros ficam enfiados em casa a ver mais um jogo de futebol e beber umas "jolas" e as mulheres a ver telenovelas portuguesas...
Mas, como a "Sofia e Beatriz", saio de casa todos os dias, faça sol, chuva, neve ou trovoada (pronto trovoada não :), esteja bem dispostinha ou p. da vida. Quando tivermos o nosso rebento, terá de ser também assim, como também não podermos contar com ninguém português aqui.
When life gives you lemons, make lemonade.

Lótus disse...

Eu, que ainda não tenho crianças, por vezes também me sinto assim. Como se o dia-a-dia me prendesse a passos pré-definidos. É difícil por vezes, mas tenta sair sempre um bocadinho nem que seja só para arejar. É incrível o que um passeio de meia hora pode fazer pela nossa (boa) disposição.

Beijinhos

eu disse...

Penso que esse é o sentimento da maior parte de todos nós, o de querer mudar e não saber por onde começar...
Mas força!!!
Sai de casa, mas sai mesmo!
Bjs gds

Mãe do Miguel Afonso disse...

Olha para tua consolação eu tb não conhecia a loja ... por isso anima-te que já não és a única na caixa!! :-)

Eu a juntar ao Miguel ainda tenho um emprego com muitas horas extra e que preenche estupidamente todo o meu tempo. Muitas vezes se não fosse a net e a televisão, acho que parecia uma freira dquelas de claúsura de tão distante que estou do mundo.

Bjs,
Ana

Ana Rute Oliveira Cavaco disse...

epá, se eu te fosse a dizer tudo o que não faço e há quanto tempo não o faço...pensa que é temporário e por uma boa causa.

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